A história
De onde vem o lingala, e porquê quatro línguas nacionais? Uma grande viagem em três etapas, das raízes bantas à rumba.
- Há cerca de 3000 anos
Bantu: «os homens»
Famílias de agricultores deixam a região dos atuais Camarões e povoam, geração após geração, metade de África. As suas línguas tornam-se centenas de línguas primas, ditas bantas: o lingala, o suaíli, o kikongo e o tshiluba fazem parte delas. Bantu é ba-ntu, «os homens»: o plural em ba- que viste nas Bases.
- Século XIV
O reino do Kongo
Na foz do rio cresce um reino poderoso. A sua língua, o kikongo, é a da corte, do comércio e da justiça, muito antes da chegada dos europeus.
- 1624
O kikongo entra nos livros
Um catecismo é impresso em kikongo: um dos primeiríssimos livros numa língua banta. Estas línguas escrevem-se há quatro séculos.
- Século XIX
O bobangi, a língua do rio
No rio Congo, os comerciantes bobangi ligam os povos das margens. A sua língua torna-se a das trocas comerciais: é o antepassado direto do lingala.
As datas mais antigas são ordens de grandeza: os historiadores ainda as afinam. O resto está documentado.
- Década de 1880
O tempo dos postos coloniais
A colonização instala postos ao longo do rio. À sua volta, soldados, barqueiros e trabalhadores vindos de todo o lado precisam de se entender depressa: o bobangi simplifica-se e mistura-se. Chamam a esta fala «bangala».
- Por volta de 1901
O bangala torna-se lingala
Em Nouvelle-Anvers, missionários põem a língua por escrito, regularizam a sua gramática para a escola e dão-lhe o nome que ainda hoje tem: lingala.
- 1900-1950
A língua da capital
Léopoldville, a futura Kinshasa, cresce a toda a velocidade. O exército colonial e a cidade fazem do lingala a língua da rua, aquela que liga habitantes vindos de todo o país.
- Décadas de 1940-50
A rumba canta em lingala
Nos bares de Léopoldville e de Brazzaville nasce a rumba congolesa, e ela canta em lingala. A música fará mais pela língua do que qualquer decreto.
- 1960
A independência
O Congo torna-se independente. Cada língua guarda a sua região de coração: o lingala em Kinshasa e ao longo do rio, o suaíli no Leste, o tshiluba no Kasai, o kikongo no Oeste.
- 2006
Quatro línguas nacionais
A constituição da RDC reconhece quatro línguas nacionais: o lingala, o suaíli, o kikongo e o tshiluba. O francês continua a ser a língua oficial.
- 2021
A rumba, património mundial
A rumba congolesa entra para o património cultural imaterial da UNESCO. E onde quer que toque, o lingala viaja com ela.
- Hoje
A história continua
Dezenas de milhões de pessoas falam lingala, nas duas margens do rio e por toda a diáspora. Cada pessoa que o aprende escreve a linha seguinte.
Onde vivem as línguas hoje
- Lingala o rio e Kinshasa
- Suaíli o Leste
- Kikongo o Oeste
- Tshiluba o Kasai
As zonas são indicativas: as línguas viajam e misturam-se, sobretudo nas cidades.
Quantas palavras tem uma língua?
Imaginamos que uma língua tem um número fixo de palavras. Na verdade, ninguém consegue contá-lo: uma língua viva cria, empresta e esquece palavras sem parar. Mesmo para o francês, os dicionários nunca concordam. O que se pode contar é o que reunimos aqui.
~500 línguas bantas primas por toda a África. O lingala, o suaíli, o kikongo e o tshiluba fazem parte delas, com palavras e uma gramática da mesma família.
- 1.716Lingala
- 1.536Suaíli
- 383Kikongo
- 87Tshiluba
Estes números são os do nosso dicionário, não os das línguas inteiras: crescem a cada atualização. O lingala e o suaíli já estão bem preenchidos; o kikongo e o tshiluba estão só a começar.
Escreve a linha seguinte
Esta história só espera por ti: cada palavra aprendida prolonga-a. Começa pelos sons e a lógica da língua.
Começar pelas bases